O Conto de RAH e o Reino das Cores
- RAH Colours
- 29 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

Era uma vez, num reino distante chamado Estetika, onde cada casa, cada roupa e cada pequeno recanto refletiam a beleza interior de quem ali vivia. Mas uma sombra começou a espalhar-se pelo reino: dois inimigos perversos, a Tendência e a Desconexão, lançaram um feitiço sobre os seus habitantes, as meninas de Estetika, aprisionando-as num mundo de cores apagadas e uniformes.
As meninas, antes radiantes e cheias de sonhos, passaram a viver em casas pintadas apenas de cinzento, branco e bege. Eram escolhas impostas pela Tendência, um tirano vaidoso que decretava:«Só as cores neutras estão na moda! Esqueçam aquilo que vos torna únicas!»
A Desconexão, sua cúmplice astuta, sussurrava-lhes ao ouvido:«Na verdade, nem sabem do que gostam. Aceitem simplesmente o que vos é dado.»
E assim, as meninas começaram a sentir-se perdidas, incapazes de expressar a sua verdadeira essência. As suas casas, e também os seus corações, encheram-se de uma tristeza silenciosa.

No entanto, num recanto remoto de Estetika, vivia um herói lendário: RAH, um mago bondoso nascido da sabedoria da neurociência e do poder da emoção. RAH não era um feiticeiro comum. Através de um encantamento feito de imagens abstratas e escolhas rápidas, conseguia olhar para dentro da alma de uma pessoa e revelar as cores que a faziam feliz - as cores das suas memórias mais felizes.
RAH sabia que cada menina guardava dentro de si uma paleta única, escondida sob camadas de dúvida e tendências emprestadas.
Um dia, três meninas corajosas, Maria, Rachele e Martina, decidiram rebelar-se contra a Tendência e a Desconexão.
Maria, artista, sonhava pintar a sua casa com as cores do seu espírito, mas sentia-se sufocada pelo bege imposto pela Tendência.Rachele, estudante das emoções, desejava que o seu mundo refletisse a sua energia vibrante, mas a Desconexão fazia-a duvidar de cada escolha.Martina, a projetar uma casa com a pessoa que amava, sentia-se dividida: a Tendência empurrava para tons frios que não a representavam de todo.
As três reuniram-se na Floresta das Escolhas, um lugar mágico onde vivia RAH. Com um sorriso luminoso, ele recebeu-as e disse:«Não tenham medo. Vou ajudar-vos a descobrir as cores das vossas memórias mais felizes, aquelas que vos farão sentir em casa, onde quer que estejam.»
Com um gesto da mão, RAH invocou um turbilhão de imagens coloridas que começaram a dançar diante dos seus olhos.
«Escolham rapidamente. Sigam o vosso instinto», disse ele.«Deixem que falem as vossas memórias e emoções.»
Maria foi a primeira. Entre as imagens em movimento, reconheceu um laranja quente e um amarelo suave, banhado de sol. De imediato, voltou aos entardeceres da infância, a pintar ao lado da avó.
«Estas são as minhas cores!», exclamou, sentindo um calor a crescer-lhe no peito.
RAH assentiu e ofereceu-lhe uma paleta de tons luminosos e acolhedores. Com ela, Maria transformou a sua casa num refúgio criativo e cheio de vida.

Rachele, com os olhos cheios de curiosidade, sentiu o chamamento de um rosa intenso e de um verde-água, como vidro polido pelo mar. As imagens levaram-na a um lugar distante, entre flores e oceano, que sonhara quando era criança.
A Desconexão tentou detê-la, sussurrando:«Tens a certeza? Não são cores demais?»
Mas RAH tranquilizou-a:«Estas cores és tu, Rachele. Não deixes que a dúvida apague a tua luz.»
Com a sua nova paleta, Rachele criou um espaço de estudo onde cada ideia podia florescer.
Martina, porém, enfrentava um desafio maior. Ela e o seu companheiro não conseguiam chegar a um acordo sobre as cores da casa. A Tendência convencera-o de que apenas o cinzento era elegante, enquanto Martina sentia que essa cor a oprimia.
RAH recorreu então a um feitiço especial: o Teste Negativo. Descobriu que o cinzento despertava em Martina memórias de dias pesados e difíceis, enquanto o seu parceiro adorava o azul-marinho, pois lhe recordava o barco do pai.
RAH procurou uma ponte entre os dois… e encontrou-a: um azul-céu, uma cor capaz de suavizar o coração de ambos. Com essa paleta partilhada, a casa tornou-se um verdadeiro ninho de amor, um lugar onde ambos se sentiam, finalmente, em casa.
Mas a Tendência e a Desconexão não desistiram. Reuniram um exército de cores monótonas e tentaram invadir Estetika novamente, gritando:«Ninguém precisa de cores pessoais! O branco chega para todos!»
RAH estava preparado.
Com a ajuda das meninas, que agora partilhavam as suas paletas com outros habitantes, lançou um último feitiço: o Círculo das Paletas Partilhadas. Em cada aldeia de Estetika, as pessoas começaram a fazer o teste e a descobrir as cores do seu coração.
As casas encheram-se de vermelhos, azuis, verdes, de todas as tonalidades imagináveis, e cada recanto do reino passou a refletir a singularidade de quem ali vivia.

Derrotadas pela luz da cor autêntica, a Tendência e a Desconexão retiraram-se, incapazes de resistir à força da emoção verdadeira. Estetika voltou a brilhar.
E as meninas, Maria, Rachele, Martina e todas as outras, viveram num mundo onde cada cor contava uma história: uma memória, um sonho, um fragmento da alma.
RAH não prometeu felicidade eterna.
Prometeu escuta.
E isso foi suficiente para que Estetika se tornasse um lugar onde todas as cores pudessem existir, sem medo.











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